Lugar de criança é na cadeirinha

Dispositivos de retenção infantil têm eficácia mais do que comprovada; saiba quais são os sistemas de fixação existentes e a maneira correta de acoplá-los ao veículo

Não é de hoje que os dispositivos de retenção infantil são obrigatórios no Brasil: a Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabeleceu as atuais diretrizes para o uso desses equipamentos, data de 2008, enquanto os órgãos de fiscalização começaram a autuar os motoristas infratores em 2010. Porém, existem diferentes sistemas de fixação para esses itens, que demandam conhecimento dos pais e de motoristas que transportam crianças.

Existem dois sistemas padrão para fixação desses equipamentos: o mais comum é o do tipo universal, no qual a cadeirinha é presa ao cinto de segurança do veículo, e a criança, por sua vez, fica afivelada pelo cinto da própria cadeirinha. O Centro de Experimentação e Segurança Viária do Brasil (Cesvi-Brasil/Mapfre) esclarece que os dispositivos de retenção só podem ser associados a cintos de segurança de três pontos; cintos do tipo subabdominal, que equipam principalmente os carros mais antigos, são incompatíveis com tais itens. Nesses casos, a legislação brasileira prevê que as crianças sejam atadas pelo próprio cinto, o que, contudo, reduz a proteção em caso de acidente.

O Cesvi-Brasil/Mapfre recomenda verificar, após a instalação, se o cinto de segurança está tensionado corretamente junto à cadeirinha. Caso existam folgas, é preciso verificar se não há obstrução da passagem do cinto pelo dispositivo. Para constatar se a fixação foi feita da maneira correta, basta fazer uma tentativa de remoção, puxando o dispositivo para a frente, e, logo em seguida, conferir a tensão.

Isofix. No entanto, usar o cinto de segurança não é o único modo seguro para se fixar a cadeirinha: alguns carros dispõem do sistema de ancoragem Isofix, que consiste em ganchos presos diretamente à estrutura do veículo, nos quais é encaixado o dispositivo de retenção infantil. Segundo Alessandro Rubio, coordenador técnico do Cesvi-Brasil/Mapfre, esse sistema traz vantagens: “As cadeirinhas, quando fixadas à carroceria, se tornam mais estáveis, pois ficam encaixadas em um gancho fixo e imóvel”, avalia.

Além de proporcionar maior proteção em caso de acidente, a fixação Isofix facilita a instalação das cadeirinhas, pois não necessita de fixação pelo cinto de segurança e reduz a possibilidade de erros durante o processo. Além disso, a instalação e a remoção podem ser feitas em menos tempo.
Vale ressaltar que os sistemas Isofix não são todos iguais: alguns contam com o Top Tether, um ponto de ancoragem adicional na parte de cima do banco, que aumenta ainda mais a proteção: “O gancho superior de ancoragem tem a função de limitar o movimento da parte superior da cadeirinha, contribuindo para a estabilidade do dispositivo e melhorando a performance na proteção às crianças”, diz Rubio.

Inicialmente restrito aos carros importados e mais luxuosos, o sistema de ancoragem Isofix já está presente em vários modelos nacionais, inclusive em alguns populares, embora ainda não seja um equipamento padrão, pois não é exigido por lei. Quem se interessar em ter um veículo com esse item deve conferir se ele está presente na lista de equipamentos, porque não é possível instalá-lo fora da fábrica: “Os ganchos Isofix são soldados à estrutura do veículo e precisam de reforços, na carroceria, que suportem a força exigida em caso de acidentes”, esclarece Rubio.

LEGISLAÇÃO

Exigências: A Resolução 277 do Contran determina que crianças menores de 10 anos devem ser transportadas sempre em equipamentos de retenção, instalados no banco traseiro. Se a quantidade de crianças na faixa etária em questão exceder a capacidade do banco traseiro, é permitido o transporte da criança de maior estatura no banco dianteiro. Veículos que possuem somente banco dianteiro também são autorizados a transportar crianças ali. Nesses dois casos, é preciso usar a cadeirinha.

DISPOSITIVOS INFANTIS DEMANDAM ATENÇÃO NA HORA DA COMPRA

Comprar um dispositivo de retenção infantil pode não ser tão simples quanto parece. Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), recomenda atenção aos detalhes: “É preciso olhar se a cadeirinha tem selo do Inmetro. Nem sempre os modelos mais caros são os melhores”. Quem compra cadeirinhas no exterior, que não são submetidas ao crivo desse órgão, deve observar outros pontos: “É preciso verificar se a cadeirinha se adapta ao carro e se o fabricante oferece assistência técnica no Brasil”, explica Maria Inês.

A coordenadora da Proteste destaca que não adianta comprar um bom equipamento e utilizá-lo de modo esporádico: “A lei é bem clara: o transporte de crianças tem que ser na cadeirinha. É importante usá-la sempre, inclusive em trajetos curtos, pois acidentes não têm hora para acontecer”, adverte.

Alessandro Rubio, coordenador técnico do Cesvi-Brasil/Mapfre, lembra que existem modelos específicos para as diferentes idades da criança: “É importante que o consumidor veja o tamanho da cadeirinha”, salienta. Recém-nascidos e crianças de até 1 ano de idade têm de ser transportados em dispositivos do tipo bebê-conforto. O equipamento deve ser instalado no sentido contrário ao movimento do carro, ou seja, voltado para trás. Enquanto o pequeno passageiro tiver entre 1 e 4 anos, deve utilizar as cadeirinhas, já voltadas para a frente. Dos 4 aos 10 anos de idade, já é possível utilizar o booster, um assento de elevação. A partir dos 10 anos ou 1,45 m de altura, basta afivelar o cinto de segurança do veículo.

Vale destacar que alguns dispositivos são reversíveis: podem atuar tanto como bebê-conforto quanto como cadeirinha, por exemplo.

Fonte: Jornal o Tempo – Publicado em: 12/07/2017

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