Após 43 cirurgias, maranhense quer dar a volta do mundo de muletas: 'Sou capaz'

Depois de 43 cirurgias e quatro anos de vai-e-vém entre hospitais de Natal, São Luis e São Paulo, Luiz Thadeu Nunes e Silva, de 58 anos, se propôs o desafio de sonhar. Em 2003, a imprudência de um motorista de lotação o fez bater de frente com um caminhão e um erro médico tirou a mobilidade de uma perna. Mas o engenheiro “nasceu de novo” — agora, com a necessidade de muletas para andar, o projeto de rodar os 194 países da ONU com elas a tiracolo e o desejo de montar um maquinário que produzisse o equipamento a preço de custo no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

— No total, foram quatro anos entre leitos de hospitais. Tudo por uma irresponsabilidade do motorista, que atendeu o celular ao volante. Eu não tinha segurança nem em atravessar uma rua, tive que me adaptar a andar de muletas. A equipe médica sentou comigo para amputar. Eu que disse que não, porque não estava preparado psicologiamente. Mas hoje já fui a 121 países — contou Silva, que depende do apoio para mover a perna esquerda.

Na noite daquele 11 de julho de 2003, ele já acordou “todo quebrado” após a batida, com fratura exposta do fêmur. Em vez de higienizar o osso, o cirurgião logo colocou platina. Sem o cuidado médico o hospital, o ferimento infeccionou, e Silva precisou de 43 cirurgias para salvar o membro. O tratamento se estendeu até 2008, já em casa, quando recebeu um intercambista que o motivaria a rodar o mundo.

— O canadense desenvolveu o inglês do meu filho, que foi depois fazer intercâmbio na Irlanda. A minha primeira viagem foi para visitá-lo. Quando cheguei lá, ele havia feito um roteiro com oito países. Fiz o giro e falei para mim que sou capaz de rodar o mundo. Eu coloco metas realistas. Primeiro 40 países, depois 80. Em setembro, fui ao 121º, Cuba — relatou o engenheiro agrônomo.

Silva destaca que não é rico. Consegue viajar em função de um “rígido planejamento” e por abdicar de luxos para priorizar as viagens. Aprendeu a pesquisar na internet e se valeu de uma segurança, obtida antes do acidente, dos investimentos em imóveis. Ele destaca que convive com três deficiências: uma adquirida, de locomoção; uma antiga, de não saber falar inglês; e a limitação de dinheiro. “São sonhos profundos para sonhos rasos”, descreve.

Luiz Thadeu quer montar maquinário de muletas Luiz Thadeu quer montar maquinário de muletas Foto: Acervo Pessoal
Hoje, o maranhense presta serviços para uma empresa e se dedica à realização da volta ao mundo e da construção de uma pequena fábrica de muletas.

— Quero devolver um pouco do que a vida me deu. Eu sou um privilegiado. É triste ver uma pessoa humilde, aqui no meu estado, se arrastar com muleta de madeira, que machuca. Uma custa, em média, 120 reais. Estou em contato com a Secretaria de Administração Penitenciária para instalar maquinários pequenos e produzir a preço de custo, 30 reais. Quero 50 metros quadrados no Complexo de Pedrinhas. Barateia a mão de obra e é bom para os detentos também trabalharem — explicou o engenheiro, em referência ao presídio marcado, no ano passado, por chacinas entre facções rivais.

Silva considera que leva uma vida independente. Ainda sente dor na perna, principalmente quando mantém o membro parado em uma mesma posição ou caminha por longas distâncias. As viagens de avião e as caminhadas longas nas cidades o preocupam, mas nem isso o faz se privar de viver aventuras nas viagens: anda de moto, quer saltar de asa delta e de paraquedas. Só não encara o bungee jump, que pode causar problemas na perna.

— Em setembro do ano passado, saí de São Luis e fui até Ushuaia, onde fica o chamado ‘fim do mundo’. De São Paulo, parti para o Alasca, onde pisei no topo do mundo. Tudo isso em um mês. Para uma pessoa de muletas, né, pouca gente fez isso — celebra o engenheiro.

Ele conta que nunca sofreu preconceito nas viagens. Com a muleta a tiracolo, repara como os países pobres da África não estão preparados em termos de acessibilidade. Mas o que o espanta é ver que países com menos recursos do que o Brasil na América Latina, como a Bolívia, são mais acolhedores aos deficientes do que o Maranhão.

— Conheci um homem na Filândia que era cego, estava com a camisa do Corinthians. Ele viaja por vários países da Europa com o cão guia dele. Na Argentina, uma senhoria que tem Alzheimer e adorava viajar estava com as duas sobrinhas. Antes de perder a memória por completo, quis proporcionar essa viagem. Isso que eu quero mostrar. Você tem que conviver com o seu problema, mas tem gente que tem problema maior que o seu e sai de casa — ressaltou Silva, que projeta as próximas partidas para as ilhas remotas da Oceania.

Fonte: Extra – Publicado em 28/07/2017

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