Pessoa com deficiência tem direito a vaga de garagem especial no condomínio?

Matéria evidentemente de extrema relevância, mais de um diploma legal já tratou deste tema, além de existir a norma NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que garante ao deficiente físico o direito à utilização de vagas em estacionamentos privativos em locais próximos à entrada principal ou ao elevador, de fácil acesso à circulação de pedestres. Importante salientar que são vedadas barreiras que limitem ou impeçam a acessibilidade, a circulação segura, o exercício dos direitos no condomínio (como em qualquer outro lugar, deve ser lembrado), o que significa que, além de dever ser facilitado o acesso ao deficiente, não se pode atrapalhá-lo.

A situação é séria: mesmo reservando vagas próximas a elevadores aos portadores de deficiências, alguns condomínios se descuidam e espalham vasos, enfeites, móveis; mantém curvas fechadas ou passagens sem cobertura, tudo a inviabilizar o razoável trânsito. Um exercício válido é tentar passar por esses locais empurrando um carrinho de bebê. Se não passar é porque uma cadeira de rodas também não poderá circular bem e com segurança.

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Os Tribunais, aliás, garantem a acessibilidade e a vida digna do deficiente físico, privilegiando mais que a Lei, os princípios da dignidade humana e de solidariedade. São conhecidas decisões judiciais destinando vagas e as excluindo do sistema de sorteio e rodízio, mesmo que estas tenham sido aprovadas em Assembleia ou estejam previstas na Convenção do condomínio.

Assim, é de suma importância manter as vagas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência física e também com mobilidade reduzida, respeitando a legislação (com destaque à Lei 13.146, de 6/7/2015) na qualidade de síndico e, em atenção ao disposto no artigo 1.348 do Código Civil, manter intocado o exercício de tal Direito, dando ciência aos condôminos.

* Advogado, membro do Conselho Jurídico do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) e coordenador do Programa Qualificação Essencial (PQE) da entidade

Fonte: Estadão. Publicado em: 06/07/17

Jovens autistas trabalharam nos créditos do novo Homem-Aranha

Os desenhos no final do filme foram feitos pelo Exceptional Minds, estúdio de efeitos visuais que trabalha com jovens dentro do espectro autista

Se você já foi assistir Homem-Aranha: De Volta ao Lar nos cinemas, pode ter reparado na animação dos créditos finais, com desenhos do Aranha em diversos pontos de Nova York. Assim como a (divertidíssima) cena dos créditos de Guardiões da Galáxia Vol. 2, ela foi feita pela Exceptional Minds, um estúdio de efeitos visuais que trabalha com jovens dentro do espectro autista.

Desde a sua fundação em 2011, a Excpetional Minds ajuda estes jovens a entrarem no mercado de trabalho, fornecendo aulas sobre efeitos visuais e animação. Os alunos que se destacam passam a trabalhar no estúdio que já criou créditos para filmes como Jogos Vorazes e Capitão América: Guerra Civil, além de serem responsáveis pela animação original da Vila Sésamo e de boa parte dos efeitos especiais de Doutor Estranho, que chegou a concorreu ao Oscar de 2016.

Segundo um artigo publicado no site da Adobe, que apoia o projeto, os profissionais dentro do espectro de autismo possuem a capacidade de concentração elevada ideal para prestar atenção a todos os detalhes que um efeito especial precisa. “Eles são profundamente focados”, diz o texto. “Isso é parte da razão pela qual a animação por computador e o trabalho em VFX são ideais para eles”.

Para os diretores do projeto, isso abre um leque para a descoberta de novos talentos e, ao mesmo tempo, contribui para a inclusão social.

“Nós fornecemos os recursos para os nossos alunos buscarem e manterem carreiras significativas, mas o sucesso é mérito deles”, explica Ernie Merlán, diretor executivo da Exceptional Minds. “Quando eles podem tomar parte no mercado de trabalho, encontrando aceitação e confiança, a sociedade como um todo se beneficia”.

A sede da Excpetional Minds está localizada em Los Angeles e atualmente fornece aulas para 225 jovens. Mais informações no site exceptionalmindsstudio.org.

Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br. Publicado em 07/07/2017

Cadeirantes poderão visitar cachoeira Véu de Noiva em MT com cadeira adaptada

A partir de agora, pessoas com deficiência ou algum tipo de limitação física poderão conhecer a cachoeira Véu de Noiva, um dos principais pontos turísticos de Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, em uma cadeira de rodas adaptada. O equipamento foi doado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot), no último sábado (10/06/2017).

A cadeira será usada para permitir a acessibilidade de cadeirantes até o mirante. A entidade também deve reformar o auditório e os banheiros do Parque Nacional para tornar os locais acessíveis.

O presidente da Sociedade de Ortopedia e Traumatologia, Márcio Augusto Mendes, informou que a cadeira foi adaptada pelo casal Guilherme Simões Cordeiro e Juliana Tozzi para ajudar as pessoas que tem a mobilidade reduzida e incentivar o turismo adaptado. Juliana também é cadeirante.

A ideia do projeto surgiu após Juliana desenvolver uma rara doença, durante o período de gestação. Ela perdeu a coordenação dos movimentos e teve de parar de praticar esportes de montanha que tanto amava.

Durante seis meses ela e o marido desenvolveram e construíram uma cadeira para trilhas e a batizaram de Juliette. O projeto ‘Montanha para Todos’ pretende distribuir gratuitamente as cadeiras nos parques nacionais, através de patrocinadores, para promover inclusão de pessoas com necessidades especiais.

“A doação desta cadeira adaptada para o Parque Nacional, estimula as pessoas com algum tipo de deficiência a fazerem o turismo adaptado”, disse.

O projeto Montanha para Todos foi idealizado e desenvolvido por Guilherme e Juliana. A cadeira adaptada recebeu o nome de Julietti e permite que as pessoas com deficiência possam realizar atividades na natureza sem qualquer custo. “Eles desenvolveram uma cadeira adaptada para esses pacientes poderem realizarem esportes”, pontuou.

A cadeira é adaptada para promover a pratica do Trekking/ Hiking no Parque Nacional.

Via: g1

Faça Parte registra problemas de acessibilidade em estação do metrô

A matéria do Faça Parte exibida nessa quarta (21) não foi nada planejada. Em mais um dia de gravações do nosso quadro eu levantei bem cedo para trabalhar, mais precisamente às 4h50, para dar tempo de fazer todo o ritual de um tetraplégico pela manhã e na sequência atravessar BH, da região do Barreiro até o Bairro São Gabriel, onde eu tinha que encontrar a equipe da Record TV às 7h30.

Para fugir do trânsito e evitar atrasos, optei pelo metrô como meio de transporte, se tudo corresse bem eu chegaria no destino bem mais rápido do que ir de carro parando nos engarrafamentos da alvorada.

A estação do metrô mais próxima da minha casa é a do Bairro Eldorado, em Contagem. Dentro do programado cheguei lá às 6h30 da manhã, daria tudo certo se o único elevador que da acesso a plataforma de embarque e desembarque não tivesse estragado.

Thiago Helton subindo a escada rolante em uma cadeira motorizada

Dai para frente o perrengue já é de conhecimento de milhares de pessoas com deficiência que dependem do transporte público coletivo no Brasil. Mas pra não perder o dia de trabalho, o perrengue virou matéria!

Chamei a equipe do Faça Parte para o local, apareceu um “exército” da guarda metroviária e literalmente paramos o metrô…

Fiz questão de registrar tudo, não apenas para cobrar providências da CBTU, mas para conscientizar a sociedade dessa realidade que nos aflige. Lembrando que esse tipo de situação pode ensejar constringimento e humilhação da pessoa com deficiência que depende do serviço, então diante de episódios como esse, procure registrar por fotos e vídeos, anote o contato de possíveis testemunhas no local, formalize uma reclamação no setor competente e registre um boletim de ocorrência junto a autoridade policial.

A omissão na garantia do direito a acessibilidade, assim como a prestação inadequada do serviço público em virtude das necessidades de atendimento advindas da deficiência de qualquer usuário, podem gerar a responsabilidade civil da prestadora do serviço público pelos eventuais danos morais ou materiais provocados.

Fonte: R7 – Publicado em 22/06/2017

Sistema permite que deficientes visuais andem sem usar bengala.

Tecnologia Assistiva – Solução criada em instituto dos Estados Unidos permite que deficientes visuais substituam a bengala por um sistema de identificação de obstáculos acoplado ao corpo. Nos testes, o mecanismo reduziu as colisões em até 86%.

Um acessório muito usado pelos deficientes visuais para se locomover é a bengala. Prática de carregar e leve, ela acusa a presença de obstáculos e evita, ao máximo, as colisões indesejadas. Não consegue, porém, identificar o que toca, uma mesa, uma cadeira ou outra pessoa, por exemplo.

Tentando resolver esse problema, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, pela sigla em inglês) criaram um sistema de orientação que permite ao usuário andar em um ambiente interno sem usar a bengala. Pendurada no pescoço do deficiente visual, uma câmera 3D sonda a região à frente dele, identificando obstáculos e o quão distantes estão. O usuário é, então, orientado sobre qual direção deve se locomover por meio de vibrações emitidas por um cinto. No acessório, também fica presa uma tela em braile que ajuda no processo de locomoção.

Segundo testes, a tecnologia reduz em até 86% o número de colisões com outras pessoas em um salão movimentado, quando se compara deficientes visuais no mesmo ambiente usando a bengala para se locomover. Além disso, ao procurar uma cadeira, os voluntários entraram em contato com 80% menos objetos indesejados no percurso quando estavam com o novo dispositivo.

“Ter algo que não interferisse com os outros sentidos foi importante. Nós não queríamos usar áudio, não queríamos ter algo ao redor da cabeça ou vibrações no pescoço. Testamos esses métodos com deficientes visuais, mas nenhum foi aceito”, diz Robert Katzschmann, um dos principais autores do artigo, apresentado na Conferência Internacional de Robôs e Automação, em Cingapura, no início deste mês.

Algoritmo-chave

A câmera 3D é capaz de detectar profundidades, algo extremamente importante para a locomoção de um deficiente visual. A câmera fica na altura do peito do usuário, dentro de uma bolsa de couro, que também guarda um pequeno computador. As imagens são processadas por um algoritmo também criado pelos pesquisadores e considerado o elemento-chave do sistema. Ele organiza os pixels da filmagem em grupos de três. Se cinco grupos adjacentes estiverem em um ângulo menor que 10 graus entre eles, ou seja, se esses grupos estiverem aproximadamente no mesmo plano, o programa conclui que formam uma mesma superfície.

O algoritmo não precisa necessariamente identificar o objeto, mas avisar ao usuário se ele estiver muito próximo. A facilidade para a movimentação do deficiente visual vai além do caminhar. A solução avisa, por exemplo, a existência de uma cadeira vaga. Nesse caso, o algoritmo analisa uma determinada superfície três vezes. Se ela for paralela ao chão e estiver em uma altura compatível com o tipo de móvel, ele avisa que há uma cadeira desocupada. Caso haja alguém sentado, não identifica o objeto.

As informações são passadas para o usuário por dois aparelhos: um cinto com motores vibratórios e uma tela em braile. Quando o deficiente chega a menos de dois metros de um objeto, o cinto vibra, indicando qual direção tomar para se desviar. Quanto menor a distância, mais forte é a vibração. “Nós descobrimos que a área do corpo menos usada pelos outros sentidos fica ao redor do abdômen”, conta Robert. Já a tela em braile exibe símbolos, como a letra C para cadeiras, e indica a direção e a proximidade de um obstáculo.

Aprendizagem

“A grande dificuldade é que o usuário precisa aprender a usar o dispositivo”, avalia Emerson Fachin-Martins, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias da Saúde da Universidade de Brasília (UnB). “Para usá-lo, a pessoa precisa saber braile. Não é todo cego que sabe braile. E precisa saber usar os dispositivos vibratórios.” Segundo o especialista, muitos deficientes visuais preferem a bengala porque ela é muito mais simples de aprender a usar do que os sistemas tecnológicos.

Por esse motivo, afirma Andréa Sonza, assessora de Ações Inclusivas do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), os futuros usuários devem sempre ser ouvidos nas pesquisas voltadas para a tecnologia assistiva. “Qualquer dispositivo feito em conjunto com as pessoas com deficiência é sempre importante. Se elas aprovam, a pesquisa é válida”, argumenta. Sonza chama a atenção ainda para a quantidade de pessoas que podem ser beneficiadas com projetos nessa linha: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 3,6% dos brasileiros (cerca de 9,3 milhões) têm deficiência visual, sendo que o grau intenso ou muito intenso da limitação impossibilita 16% deles de realizarem atividades rotineiras, como ir ao trabalho e brincar.

Os pesquisadores do MIT realizaram diversos testes em que pessoas cegas percorreram labirintos e corredores e localizaram cadeiras vazias em uma sala usando a nova solução. As tarefas foram executadas sem o auxílio da bengala. Porém, quando as duas alternativas foram usadas juntas, a velocidade e a confiança dos deficientes foram bem maiores. “Parece ser algo viável”, avalia Andréa Sonza. “Quanto menor e mais fácil de carregar, melhor.”

Campos diversos

Criado em 1988, o termo tecnologia assistiva refere-se aos recursos e serviços que podem contribuir para proporcionar ou ampliar as habilidades de pessoas com deficiência. Os recursos são variados, incluindo soluções como softwares e hardwares voltados para a acessibilidade e equipamentos de comunicação e locomoção alternativa. Os serviços são geralmente multidisciplinares e envolvem áreas como medicina, psicologia, engenharia e computação.

Fonte: Correio Braziliense – Publicado em: 19/06/2017

Tatuagem do MIT muda de cor quando nível de açúcar no sangue cai

A solução, feita em parceria com a Universidade de Harvard, promete facilitar a vida de diabéticos

Pesquisadores da Universidade de Harvard e do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA, desenvolveram uma solução criativa que pode facilitar o dia-a-dia de quem tem diabetes. Eles fabricaram uma tinta para tatuagem que contém substâncias químicas capazes de detectar níveis de açúcar, sódio e pH no sangue.

A solução funciona da seguinte maneira: quando o açúcar no sangue aumenta, a tinta sensível ao açúcar muda de azul para marrom. No caso de aumento nos níveis de sódio, a tinta que faz a detecção do sódio fica verde sob a luz UV. Já quando os níveis alcalinos mudam, a tinta sensível ao pH muda da cor roxa para a rosa.

Chamada de DermalAbyss, a tinta monitora o fluido intersticial, um líquido que envolve as células do tecido. Tal solução é composta por açúcar, ácidos graxos, neurotransmissores, aminoácidos e até hormônios. Como o excesso do fluido é constantemente drenado pelas paredes dos capilares linfáticos, a tinta consegue fazer a detecção da quantia de açúcar, por exemplo.

“A DermalAbyss cria um acesso direto aos compartimentos no corpo e reflete processos metabólicos internos em forma de tatuagem”, explica um comunicado do MIT. Os pesquisadores ressaltam em um vídeo oficial (que você pode ver no final deste texto) que a tatuagem feita com a tinta pode ser desenhada em qualquer formato.

Até o momento, a tinta foi testada apenas na pele de porcos, animais com tecidos similares aos dos seres humanos. Várias injeções foram feitas na pele para analisar a funcionalidade e a visibilidade das substâncias químicas.

Ainda não existe uma data para o início dos testes em seres humanos. Exames clínicos em pessoas são importantes para tirar algumas dúvidas, como a reação alérgica do corpo à substância ou até mesmo o tempo de funcionamento da tecnologia.

Apesar de o projeto ser ainda muito inicial, ele promete ajudar – e muito – a vida de pessoas que sofrem com as diabetes tipos 1 e 2. Atualmente, para monitorar seus níveis de glicose, os diabéticos precisam picar o dedo com um aparelho e colocar uma gota de sangue em uma tira de teste. “Com DermalAbyss, imaginamos o futuro onde o procedimento doloroso é substituído por uma tatuagem”, afirma o comunicado do MIT.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, passando de 5,5% da população em 2006 para 8,9% em 2016.

Assista a um vídeo (em inglês) sobre a DermalAbyss: Clique aqui e assista

Fonte: Revista Super Interessante – Publicado em: 19/06/2017

5 Direitos que toda pessoa com deficiência tem nos concursos públicos

Ingressar em uma carreira pública é o sonho de milhões de brasileiros e não deixa de ser uma ótima opção quando o assunto é a busca por inclusão profissional. Contudo, em matéria de direitos das pessoas com deficiência muita gente desconhece alguns direitos que podem contribuir para transformar esse sonho em uma realidade.

No exercício da advocacia tenho me deparado com diversas questões que envolvem essa temática, razão pela qual resolvi elencar aqui 5 direitos essenciais que todo candidato com deficiência tem ao prestar um concurso público em nosso país. Tomem nota!
1. Atendimento especializado e tempo adicional

Existem determinadas deficiências que o candidato necessitará de atendimento especializado para que possa realizar as etapas do concurso público em igualdade de oportunidades com os demais. Por exemplo: a realização de uma prova discursiva em meio digital para um candidato tetraplégico; uma prova em braile ou com fonte ampliada para candidatos com deficiência visual; tempo adicional para um candidato com deficiência motora nas mãos que comprometa o manuseio do caderno de provas, em meio a todo universo de deficiências e eventuais necessidades. Uma boa dica é levar o edital até o médico e pedir para que faça constar expressamente no laudo, que será usado para se inscrever no certame, a descrição da necessidade desse atendimento especializado e/ou do tempo adicional, inclusive esclarecendo as justificativas para tanto.

2. Adequação de provas práticas e testes físicos conforme o grau da deficiência

Segundo o art. 39 do Decreto Federal 3.298/99 o próprio edital do concurso já deve prever as adaptações de provas, do curso de formação e do estágio probatório, conforme a deficiência do candidato. Se o edital do concurso público trouxer a previsão de vagas para pessoas com deficiência é direito dos candidatos inscritos nessa qualidade que essas adaptações sejam concedidas respeitando as suas peculiaridades e a participação adaptada em todas as etapas.

3. Ser avaliado quanto a compatibilidade da deficiência e as atribuições do cargo durante o estágio probatório

Uma vez aprovado em concurso público e nomeado para o cargo, o candidato com deficiência não pode ser eliminado em fase de exames médicos ou admissionais sob alegação de que sua deficiência seria incompatível com as atribuições do cargo. Esse entendimento decorre do art. 43. §2º do Decreto 3.298/99, que prevê que essa análise deve ser feita durante o estágio probatório, assim como por inteligência do art. 34 §3º da Lei 13.146/2015 (LBI), que veda a discriminação da pessoa com deficiência em exames admissionais, bem como a exigência de aptidão plena.

4. Concorrer na lista de ampla concorrência em igualdade de oportunidades

Ao contrário do que muita gente pensa por aí, em qualquer concurso público que haja reserva de vagas para PcD, o candidato inscrito como pessoa com deficiência concorre em duas listas: uma lista especial formada apenas pelos aprovados com deficiência e a lista geral, de ampla concorrência, formada por todos os aprovados. Logo, não há que se falar em um concurso segregado, pois a pessoa nessa qualidade concorre por todas as vagas, com a mera prerrogativa de ser nomeado pela reserva de vagas para PcD, caso fique melhor colocado na lista especial do que na lista geral. Lembrando que um direito não retira o outro.

5. Proteção contra qualquer tipo de discriminação em virtude da deficiência

A Lei Brasileira de Inclusão da PcD, em seu art. 88, tipifica como crime de discriminação a prática, indução ou a incitação de qualquer pessoa em virtude de sua deficiência. Deste modo, qualquer situação causada pela banca organizadora, pelo órgão responsável ou autoridade competente para fornecer o atendimento isonômico e a igualdade de oportunidades em qualquer fase de um concurso público, pode acarretar a responsabilidade penal do agente envolvido, assim como a responsabilidade civil por eventuais danos morais ou materiais que a pessoa venha a sofrer pelo atendimento desigual ou inadequado durante o certame. Em caso de violação de qualquer desses direitos procure um advogado de sua confiança e faça valer a letra da lei.

Thiago Helton

Fonte: blog: thiago helton – Publicado em: 20/06/2017

Já abriu o primeiro parque aquático do mundo para pessoas com deficiência e é lindo

Parques aquáticos costumam ser ambientes pensados exclusivamente para a diversão. Apesar disso, a maior parte deles não é pensada para oferecer essa diversão de forma inclusiva e conta com raras atrações voltadas a pessoas com deficiência. Mas o mundo está mudando e o primeiro parque aquático completamente acessível foi inaugurado essa semana no Texas, nos Estados Unidos.

O Morgan’s Inspiration Island foi pensado para atender pessoas com diferentes tipos de deficiência e é completamente acessível. Suas atrações podem ser apreciadas por deficientes visuais, usuários de cadeiras de rodas, pessoas com problemas cognitivos, entre outros. Afinal, a ideia do parque não é separar, mas incluir.

Para isso, o espaço oferece até mesmo cadeiras de rodas que podem ser usadas gratuitamente pelos visitantes, de forma que eles não danifiquem as suas próprias cadeiras, geralmente bastante caras. Pessoas que possam se perder de seus acompanhantes durante o passeio também contam com a ajuda de pulseiras de alta-tecnologia desenvolvidas pelo parque para que elas possam ser facilmente localizadas.

Ao todo, são seis atrações ao longo do parque, que tem sua capacidade limitada para evitar o estresse de pessoas com problemas cognitivos como o autismo, por exemplo. Graças a isso, as entradas podem ser adquiridas online, o que evita que uma família chegue ao local e seja impedida de ingressar por causa da lotação. Além de tudo, pessoas com deficiência e menores de 2 anos não pagam entrada no parque – para adultos acompanhantes, o valor do ingresso custa entre US$ 11 e US$ 27.

O espaço foi desenvolvido por Gordon Hartman e sua filha Morgan, de 23 anos, com a ajuda de cuidadores, médicos, terapeutas, consultores de parques aquáticos e, é claro, da comunidade que luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Antes do parque aquático, a dupla já havia criado um outro parque temático completamente acessível, em 2010, o Morgan’s Wonderland.

Fonte: hypeness.com.br- Publicado em: junho 2017

Menino de 12 anos com doença degenerativa realiza o sonho de ir ao cinema pela 1ª vez

Criança sofre de Atrofia Muscular Espinhal (AME) e mora em Cuiabá. Empresa de home care organizou ida e acompanhamento para realizar o sonho do garoto.

Um menino de 12 anos, que sofre de uma doença degenerativa, realizou o sonho de ir pela primeira vez a um cinema na quarta-feira (14), em Cuiabá. Gilmar Moreira Júnior tem Atrofia Muscular Espinhal (AME) e estava há três anos sem sair de casa por conta da doença. A empresa de home care organizou o transporte e acompanhamento do menino até o cinema.
A criança é filha da servidora pública Kenia Márcia Oliveira Silva, de 33 anos. A família morava na cidade de Planalto da Serra, a 254 km de Cuiabá, e há três anos se mudou para a capital onde Gilmar recebe tratamento por um sistema de home care.

Sem sair de casa, pela necessidade do tratamento, ele tem aulas particulares em casa, onde também recebe acompanhamento de médico, psicólogo e fisioterapeuta. Os mesmos profissionais o acompanharam até o cinema e garantiram a estabilidade da saúde dele.
“Para nós é felicidade total. Nem dormimos direito durante a noite esperando esse momento”, afirmou a mãe do menino.

Gilmar recebe visitas, duas vezes por dia, da fisioterapeuta. As enfermeiras também ficam com ele por 12 horas. O médico vai até o menino uma vez na semana.
Segundo o médico Heleno Strobel Rosa, a classificação da doença de Gilmar é do tipo 2. Por isso, o menino precisa de equipamentos para respirar.

“É uma doença genética e neurodegenerativa que causa atrofia muscular, essa incapacidade involuntária de movimento dos músculos que atinge também a parte respiratória. Envolveu os músculos respiratórios, por isso ele precisa da respiração mecânica”, contou.

O quarto do menino é adaptado com home care para manter Gilmar vivo.
“Ele teve uma complicação grave e chegou a ficar três meses na UTI com pneumonia em estado bem grave. Fizemos o tratamento e logo viemos para casa. Ele é uma criança feliz e alegre, sempre sorrindo”, afirmou a mãe do menino, Kenia.

Os profissionais se organizaram para o transporte da criança com todos os equipamentos necessários. Em uma maca, Gilmar conseguiu assistir a um filme no cinema pela primeira vez.
Para realizar o sonho, o menino passou por uma preparação psicológica e física por um período de três meses. De acordo com a equipe médica, a preparação foi necessária para evitar que o menino ficasse ansioso com a ida ao cinema.

“Voluntariamente eles [os profissionais] participam, há toda uma comoção em torno disso, essa preparação do paciente para que ele esteja pronto, clinicamente e preparado, para que ele possa realizar esse sonho”, comentou a gerente da empresa de home care, Claudia Manzini.

Fonte: G1 – Publicado em 16/06/2017

Deficiente visual completa prova com trilha, mountain bike e canoagem no DF

Desafiantes competem com guias na categoria de duplas. Genival Ribeiro fez rapel na Ponte JK

O último domingo (11/6) reuniu em Brasília participantes da segunda edição da corrida da aventura Caixa Brasília Outdoor Adventure. A competição, que agregava trilha, mountain bike e canoagem, podia ser disputada individualmente e até por equipes formadas por quartetos. Porém, foi na categoria de duplas que os deficientes visuais puderam competir e se destacar junto dos guias.

Nesta edição, Genival Ribeiro, 49 anos, participou da sua segunda prova de corrida de aventura ao lado da parceira Kika Pereira, 40. Juntos, eles conquistaram o oitavo lugar entre as 18 duplas inscritas e fizeram o melhor tempo entre os deficientes visuais que participaram da prova. “Fizemos a prova de 20km em 3 horas e 50 minutos”, conta, orgulhosa.

A ideia de participar da prova veio de Kika. Ela procurava um deficiente visual para formar uma dupla na competição. “É difícil achar alguém que tenha disposição e vontade de participar desse tipo de prova”, explica. A produtora conta que vários pontos tem que ser levado em consideração na escolha do parceiro para a prova. Até a altura pode influenciar. Então, conheceu Genival no projeto “DV na Trilha” e ele aceitou o desafio.

O bom desempenho foi uma surpresa, pois eles se conheceram há apenas dois meses e tiveram pouco tempo de treino. Para Kika, o preparo físico e a confiança de Genival foram pontos importantes na prova. “Dava tranquilidade ver que eu estava com uma pessoa bem preparada. Às vezes esqueço que ele é deficiente de tão autônomo que ele é”, observa. Genival foi o único deficiente da prova que escolheu fazer o rapel na Ponte JK.

Genival perdeu a visão durante um assalto sofrido aos 22 anos e desde então se apega ao esporte para superar as dificuldades. Todo os dias, ele corre 10km antes de ir trabalhar e sempre tem novos desafios em mente. “É muito bom participar de competições. Dentro delas, esqueço por um momento que eu sou cego”, analisa. O próximo desafio dele é participar da corrida de rua São Silvestre este ano.

Fonte: Superesportes.com.br – Publicado em: 12/06/2017